Cibersegurança industrial IT/OT

Segurança OT

Segurança OT protege o que a empresa não pode parar: a linha de produção, a subestação, a estação de tratamento, o forno. Em segurança da informação o objetivo é proteger o dado; em segurança OT o objetivo é proteger a continuidade física da operação.

A diferença começa em um detalhe que muda todo o resto: o ativo industrial não pode ser desligado para ser corrigido. Um patch que exige reinício pode custar horas de produção. Um bloqueio de porta pode interromper a comunicação com um controlador que ninguém mapeou. Um agente de segurança que consome processamento pode atrasar um supervisório em operação.

Escopo: energia, óleo e gás, indústria Referência: ISA/IEC 62443 Atualizado: conteúdo orientativo
01 · Diferença fundamental

O que muda quando o alvo é a operação

Aplicar a política de TI dentro da planta é o erro mais comum e o mais caro. Não porque a política esteja errada, mas porque o objetivo é outro.

Critério TI
Tecnologia da informação
OT
Tecnologia operacional
Objetivo principal Proteger a confidencialidade do dado Proteger a continuidade física da operação
Ativo no centro Servidor, aplicação, banco de dados Controlador, IHM, relé, rede de controle
Consequência do incidente Vazamento, multa, dano à imagem Parada de produção, perda de produto, risco físico
Tolerância a downtime Horas são aceitáveis Minutos já geram prejuízo
Janela de correção Imediata, em qualquer horário Depende de parada programada
Protocolo TCP/IP com inspeção profunda Protocolos industriais que exigem conhecimento específico
Tabela de comparação conceitual, não exaustiva.
02 · Inventário conceitual

Quais ativos compõem o ambiente OT

Antes de proteger, é preciso nomear o que existe. Estes são os ativos que compõem a maior parte dos ambientes industriais no Brasil.

Campo

PLC

Controlador lógico programável: executa a lógica que comanda a máquina ou o processo.

Operação

IHM

Interface homem-máquina: é a tela em que o operador comanda e observa a planta.

Telemetria

RTU

Unidade terminal remota: leva e traz medição e comando entre o campo e o centro de controle.

Engenharia

Estação de engenharia

É o computador que configura, ajusta e mantém todos os equipamentos acima.

Visão geral

Supervisório (SCADA)

Consolida a operação inteira em uma única visão.

Cada um desses ativos tem uma função operacional específica. Proteger todos com a mesma regra é tão errado quanto não proteger nenhum.

03 · Estrutura

Os cinco pilares de um programa de segurança OT

Um programa de segurança OT não começa pela ferramenta. Começa pela ordem em que os problemas são resolvidos. Estes cinco pilares funcionam como sequência, não como cardápio.

1

Inventário e visibilidade

Ninguém protege o que não sabe que tem. O primeiro entregável não é um painel, é a lista de ativos, versões e responsáveis.

2

Segmentação por zonas e condutos

A rede de controle não deve conversar livremente com a rede corporativa. A separação entre as duas é o que impede que um problema de escritório alcance a planta.

3

Gestão de acesso remoto

O caminho mais comum de entrada em uma planta é um túnel de manutenção aberto por um integrador e esquecido. Acesso remoto se resolve com prazo, aprovação nominal e sessão auditável.

4

Detecção de anomalia em protocolo industrial

Detectar comando de escrita não autorizado exige conhecer o protocolo da planta. Sensor genérico de rede não vê o que importa.

5

Resposta a incidente sem parar a linha

O plano precisa considerar que derrubar a rede pode ser pior que o incidente. Contenção em OT é decisão operacional, não apenas técnica.

04 · Caminhos de entrada

O elo entre TI e OT: onde o incidente realmente começa

A planta raramente é a porta de entrada. Ela é o destino.

O servidor web da empresa

Hospeda site, portal e agenda no mesmo parque da rede corporativa, que tem rota para a rede industrial.

O notebook de engenharia

É o único ponto com permissão de escrita no controlador, e circula entre a mesa do escritório e o chão de fábrica.

O túnel do integrador

Aberto para uma parada de manutenção, mantido ativo por anos por conveniência.

Por isso a pergunta correta não é "minha planta está isolada?". É "quais caminhos levam até ela, e quem autorizou cada um?".

05 · Decisão

As perguntas que o comitê vai fazer

Quem aprova orçamento não pergunta sobre protocolo. Pergunta sobre risco, prazo e responsabilidade. Estas são as seis perguntas mais comuns e a resposta técnica correspondente.

Pergunta do comitê Resposta técnica
Se a planta é isolada, como o ataque chega? Pelo notebook de engenharia, pelo servidor corporativo com rota para a planta ou por um túnel de manutenção ativo.
Quanto custa uma parada de um dia? É o número que define o orçamento de segurança. Sem ele, qualquer proposta parece caro.
Qual norma me obriga? Depende do setor: REN 964 da ANEEL na energia elétrica, Portaria 102 da ANP em óleo e gás, e a IEC 62443 como referência técnica em todos.
Isso trava a produção? Não, se a implantação respeitar janela de manutenção e for feita por quem conhece processo.
Já tenho antivírus e firewall, não basta? Não alcança protocolo industrial nem ativo legado sem agente.
Quem responde se algo acontecer? Se a resposta não tiver nome e cargo, o risco não tem dono — e o plano não sai do papel.
06 · Obrigações

Normas e obrigações aplicáveis no Brasil

Referências técnicas e regulatórias que orientam a estrutura do programa de segurança OT.

Referência técnica

ISA/IEC 62443

Norma técnica de referência para segurança de sistemas de automação industrial. Organiza responsabilidades, zonas e níveis de segurança exigidos.

Estrutura de gestão

NIST CSF 2.0

Estrutura de gestão usada para organizar identificar, proteger, detectar, responder e recuperar.

Setor elétrico

REN 964 da ANEEL

Estabelece diretrizes e conteúdo mínimo da política de segurança cibernética para agentes do setor de energia elétrica.

Óleo e gás

Portaria 102 da ANP

Diretrizes de segurança cibernética para o setor de óleo e gás.

A obrigação regulatória é o argumento que transforma segurança OT de custo em conformidade auditável.

07 · Sequência

Por onde começar em 30, 60 e 90 dias

Um programa que tenta resolver tudo de uma vez não entrega nada. A sequência abaixo é a que costuma gerar resultado visível dentro de um trimestre.

01

Primeiros 30 dias

Inventário passivo de ativos OT e mapa dos caminhos que alcançam a rede de controle.

02

30 a 60 dias

Fechamento de acessos remotos sem justificativa, com prazo de expiração e aprovação nominal.

03

60 a 90 dias

Desenho de zonas e condutos e início do monitoramento de tráfego industrial.

Cronograma indicativo, sujeito ao ponto de partida de cada planta.
08 · Dúvidas

Perguntas frequentes

Segurança OT é a mesma coisa que segurança de TI?

Não. O objetivo, o ativo, a tolerância a parada e a janela de correção são diferentes.

Minha empresa é pequena, preciso disso?

Se existe controlador conectado em rede, existe risco. O tamanho muda o escopo, não a existência do problema.

Preciso trocar meus equipamentos?

Na maioria dos casos, não. Segmentação, controle de acesso e monitoramento resolvem boa parte sem substituição.

Quanto tempo leva para ficar conforme?

Depende do ponto de partida. O diagnóstico de maturidade indica o caminho e a ordem.

Como sei em que nível estou hoje?

Pelo diagnóstico de maturidade OT, com doze perguntas objetivas e resultado imediato.

Autoridade

A DoutorNet atua em cibersegurança industrial desde 1989, com 202 projetos em 10 países. Integra o comitê da norma IEC 62443, a ABNT e o Laboratório de Cibersegurança para Sistemas Ciberfísicos do IME (LaSC).

1989
Atuação desde
202
Projetos concluídos
10
Países atendidos
IME
Laboratório LaSC
Próximo passo

A pergunta certa não é se sua planta está isolada. É quem consegue chegar até ela.